Igreja no Velho Testamento ??? Heresia #1

outubro 29, 2016 0 Comentários A+ a-


"E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós." I Coríntios 11.19

"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição." II Pedro 2.1

Desde a primeira heresia que tentaram introduzir ao Evangelho no primeiro século, uma só foi a postura dos cristãos: Manifestar-se contra ela! Não ir contra as heresias, é se tornar cúmplice de ensinamentos errados e maléficos à fé cristã, e deixar que toda uma geração futura de cristãos seja fundamentada em doutrinas que não estão respaldadas nos princípios bíblicos neo-testamentários (do Novo Testamento).

Neste série #DigaNãoAsHeresias, trarei breves estudos sobre as heresias que a Igreja de Cristo combateu ao longo de sua história, e como podemos combatê-las hoje, defendendo assim a verdadeira fé cristã.

Mas afinal, você sabe o que é uma heresia?

Esta é uma palavra derivada do grego, que primeiramente traz a noção de escolha, eleição e preferência – porém, nos registros do Novo Testamento, esta palavra foi utilizada para significar um princípio filosófico ou um sistema/conjunto de ideias que promoviam divisão e afastamento das doutrinas cristãs.

Vejamos então uma das primeiras heresias que os cristãos combateram no primeiro século e como ela se reflete na Igreja hoje:

HERESIA JUDAIZANTE:

"Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, foi obrigado a circuncidar-se, apesar de ser grego.

Essa questão foi levantada porque alguns falsos irmãos infiltraram-se em nosso meio para espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à escravidão. Não nos submetemos a eles nem por um instante, para que a verdade do evangelho permanecesse com vocês." Gálatas 2.3-5



Esta foi a primeira heresia combatida pela igreja, quando um grupo de judeus convertidos ao Evangelho de Jesus iniciou uma perseguição contra os cristãos gentios (pessoas de outros povos e culturas), pervertendo sua fé na tentativa de incorporar ao Cristianismo a prática e a observância das leis do Antigo Testamento (Torá / Lei de Moisés), condicionando a Lei como item fundamental para que a fé cristã fosse válida e aceita por Deus - Ou seja, para este grupo chamado Judaizante, uma pessoa só seria cristã se observasse a Lei, ou seja, se continuasse a realizar todos os rituais e práticas que a Lei ordenava, tais como: a circuncisão, a observância do sábado, o não consumo de alimentos considerados imundos, a participação nas festas religiosas judaicas como Tabernáculos, Colheita, Hanuká, Purim, Expiações, etc. e todas as demais leis sociais e templárias.


O apóstolo Paulo se levantou contra esta heresia e considerou tais pessoas que insistiam nelas como FALSAS, e mostrou que o objetivo delas era fazer com que os cristãos fossem levados novamente a escravidão da Lei – Lei esta, que já havia sido plenamente cumprida, satisfeita e finalizada no sacrifício de Cristo. 

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê." Romanos 10.4

Uma reunião foi feita pela Igreja naquela ocasião para discutir então como que os cristãos gentios seriam tratados, e se reconheceu então que não havia a necessidade de cobrar deles a prática e a observância da Lei, embora os judeus permanecessem naquela condição, que além de religiosa, era essencialmente cultural para eles. 

"Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos." Gálatas 2.9

Atualmente enfrentamos esta mesma heresia, quando a Igreja Cristã incorpora elementos do Antigo Testamento em seus cultos, tais como: Instrumento musical Shofar utilizado no Velho Testamento para convocação de guerras e/ou ajuntamentos, Vestes sacerdotais como Kipá e Talit; Bandeira de Israel e Estrela de Davi, Candelabro/Menorah, Arca da Aliança, Óleo para unção...

Estes e outros elementos específicos do Velho Testamento nos contam a história de como Deus agia em meio ao Seu povo, contudo, todos eles agora não passam de símbolos que apontam para um novo significado no Novo Testamento, que culmina na pessoa de Jesus Cristo e em Sua obra redentora e salvadora.

Hoje não somos mais convocados pelo som de um shofar, mas a própria voz do Espírito Santo nos chama ao arrependimento e a uma nova vida em Cristo (Jo 16.8); nossas vestes como sacerdotes não são Talit e Kipá mas são vestes de um novo homem criado por Deus em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.24); a bandeira sobre nós não é a de Israel, mas é o próprio Deus, que conquistou para si povos de todas as tribos, línguas e nações (Apc 5.9), não representamos Israel nem Davi, mas sim o Reino de Deus como embaixadores (II Co 5.20); carregamos a luz de Cristo e não de um candelabro (Ef. 5.8; Mt 5.14); nós somos a arca que carregamos a presença de Deus (I Co 3.16) e pelo Espírito Santo somos uma vez por todas ungidos, selados e capacitados para a boa obra, não havendo nenhuma necessidade de "novas unções" (I Jo 2.20,27; II Co 1.22; Ef. 4.30; II Co 1.21,22).

Aceitar hoje estes rituais, símbolos e as observâncias da Lei é recosturar o véu que Jesus já rasgou! Lembre-se: todo o Velho Testamento apontava para Jesus, e a Bíblia nos ensina que ele era sombra do que haveria de vir (Colossenses 2.17); desta forma, hoje, a Igreja deve ser fundamentada na Nova Aliança, no Novo Testamento tão somente, pois nele toda a Lei teve uma nova abrangência em Cristo Jesus:

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." Gálatas 5.14

Definitivamente, nós não vivemos mais pela Lei! Dela fomos livres e hoje vivemos na Nova Aliança (Hb 8.8-10) revelada pela Graça de Cristo Jesus, que se tornou maldição por nós, e que em nosso lugar sofreu as penalidades que a Lei exigia do pecador. Vivemos guiados pelo amor que o Espírito Santo derramou em nosso coração, para nos fazer capazes de cumprir com toda a Lei que se resume em uma só: amar nosso próximo como a nós mesmos! O que fazemos, fazemos por amor e não por medo das maldições da Lei, pois estas foram todas desfeitas no sangue de Jesus (Gl 3.13).

Não diminua ou menospreze esta verdade tão cara para o Evangelho, observando antigos rituais e antigas leis, vivendo com medo de maldições, se colocando novamente debaixo do jugo da escravidão. Lute, pois, contra esta heresia e mantenha firme sua fé na graça e no amor de Jesus! Ele é suficiente para nós!